Armazenamento remoto de arquivos vai dominar a internet

Se o armazenamento de arquivos na nuvem (cloud, em inglês) ainda não é uma realidade em sua vida, isso é só uma questão de tempo. Até 2016, 36% de todos os dados pessoais estarão em cloud, segundo estimativas do maior instituto de pesquisa em tecnologia da informação do mundo, o Gartner Research. Movimento de migração que só tende a crescer, impulsionado pela liberdade que o usuário conquista ao acessar seus arquivos em qualquer lugar, a partir de qualquer dispositivo com conexão à internet, seja ele smartphone, tablet ou o tradicional PC. Mobilidade sem a qual não se vive mais.

Fica para trás o universo on-premise, velho conhecido que exige a instalação de softwares – exemplo do Pacote Office, da Microsoft – e ainda requer preocupação constante com o sistema operacional e a capacidade de processamento e armazenamento do hardware. “Com a chegada da computação em nuvem, os usuários domésticos e mesmo as empresas podem se livrar do ônus de gestão da infraestrutura. Não haverá mais problemas de hardware, servidor ou necessidade de incrementar o software”, explica Luis Martinez Altamirano, analista de mercado responsável por servidores e armazenamento da consultoria IDC Brasil.

Isso só ocorre porque gigantes do setor como Amazon, Apple, Google, Facebook e Microsoft se encarregaram de tudo. Com a oferta extensiva de ferramentas que permitem armazenamento digital em servidores remotos, o usuário ganhou escala e agilidade e, associado a isso, ainda consegue economizar. “A palavra-chave da computação em nuvem é a elasticidade para mais ou para menos. É possível aumentar e reduzir os recursos rapidamente, de acordo com a demanda”, observa Luiz Martinez.

Premissa que vale não apenas para o usuário final, como também para as empresas que estão se dando conta das vantagens dessa verdadeira ferramenta de gestão. O publicitário Guilherme Araújo, de 33 anos, prova que a nuvem traz benefícios para todos. “Um exemplo é que hoje meus filmes estão no Netflix e as fotos, no Dropbox. Não preciso mais confiar na mídia de armazenamento físico”, reconhece. Na startup Zubb, a lógica é a mesma. “Não precisamos contratar softwares muito caros para colocar a empresa para rodar. Hoje, uso o Pipedrive para a área comercial, o Dropbox para armazenamento de arquivos, o Evernote para notas, o Slack para comunicação entre o time, Google Apps para e-mail e documentos, RedMine para gerenciamento de projetos, CRM para clientes, e estamos começando os testes com o Conta Azul para a área financeira e administrativa”, detalha Guilherme, sócio-fundador da agência digital. Tudo usado de acordo com a demanda. “O espaço pelo qual pagamos é dimensionado pelo uso. Se preciso de muito, pago por muito, mas se preciso de pouco, pago por pouco. Essa escala da nuvem facilita, inclusive, o nascimento de empresas”, reconhece o empreendedor.

Cautela na migração

Mas essa migração deve ser bem pensada. “Não é ir para a nuvem apenas porque está na moda. Os riscos devem ser planejados e mitigados, principalmente porque o mercado oferece diversos tipos de aplicações que talvez não estejam alinhadas com o interesse da empresa”, pondera Victor Arnaud, diretor da Alog, empresa provedora de serviços de data center.

Os recentes ataques ao iCloud e vazamento de fotos de celebridades reforçaram o sentimento de insegurança que já ronda a computação em nuvem e afasta os usuários mais desconfiados. “A vulnerabilidade sempre existe, não importa se a informação está na nuvem ou on-premise. Mas é fato que essas grandes empresas que oferecem o serviço têm que seguir uma série de regulamentações, normas de conformidade e passam por auditorias regulares”, afirma Vitor Nakano, gerente de pré-vendas da Cyberoam, fabricante de soluções de segurança. “Com isso, muitas vezes a segurança é maior na nuvem do que no computador pessoal”, acrescenta o especialista.

Victor Arnaud reconhece que a proteção é um desafio em camadas. “O elo da corrente é tão fraco quanto seu elo mais fraco”, afirma, ao fazer o alerta de que não adianta um sistema confiável se o comportamento do usuário não é condizente. Senhas fortes trocadas regularmente foi uma das armas encontradas por Guilherme Araújo para driblar os riscos. “E também procurar referência do serviço que pretende utilizar, até mesmo com amigos que já conheçam a ferramenta”, aconselha.

O QUE É NUVEM?
Nuvem ou cloud computing nada mais é do que o ambiente criado dentro da internet para armazenamento de todo tipo de informação, incluindo fotos, músicas, documentos e vídeos. Hoje, as principais plataformas são de gigantes como Apple, Google, Microsoft e Amazon e todos os dados ficam guardados em servidores remotos. Isso permite acesso fácil e rápido de qualquer dispositivo conectado à internet.

Principais atrativos
» Possibilidade de acessar aplicações sem se preocupar com o sistema operacional ou o hardware
» Facilidade no compartilhamento de dados entre usuários, principalmente os corporativos
» Uso de acordo com a demanda. Se houver demanda por mais espaço, paga-se por ele pelo tempo de utilização dos recursos
» As atualizações dos softwares são feitas de forma automática

Segurança
» Assim como no computador pessoal, os usuários não estão livres de um ataque e de vazamento de suas informações em nuvem, como ocorreu recentemente com o iCloud. Porém, diante das regulamentações que as empresas devem seguir e da série de auditorias pelas quais passam, especialistas reconhecem que existe sim segurança na nuvem, por mais que também haja vulnerabilidade. O ideal é buscar plataformas que transmitam as informações de forma criptografada e tomar alguns cuidados simples, como adotar senhas complexas e modificá-las com regularidade.

 

Fonte:  Site EM Tecnologia